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Despejo de mais de 650 pessoas de comunidade em Porto Alegre do Norte é denunciado por entidades

De acordo com a Pastoral, as famílias já notificadas estão formulando uma ação para que o despejo seja suspenso.

02/03/2021 11h46
Por: Redação Fonte: G1-MT
Despejo de mais de 650 pessoas de comunidade em Porto Alegre do Norte é denunciado por entidades

O Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) denunciaram, nesta segunda-feira (1°), o despejo de mais de 650 pessoas, entre elas 100 crianças e 50 idosos, que vivem há cerca de 40 anos na Gleba Xavantinho, em Porto Alegre do Norte, região do Araguaia.

 

A decisão de despejo, em três dias, é do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, após recurso de Agravo de Instrumento interposto pela empresa Agro Pastori Vitória. Na ação, a empresa diz ser dona da terra ocupada pelas famílias.

 

No entanto, as entidades apontam irregularidades na ação e pedem a suspensão da decisão neste período de pandemia da Covid-19.

 

O G1 entrou em contato com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

 

A reportagem tenta contato com a empresa Agro Pastori.

 

A disputa judicial é por uma área de 50.973 hectares, entre as margens esquerda do Rio Xavantinho e a margem direita do Rio Tapirapé. Conforme a denúncia, a empresa também alega ser dona de outras terras naquela região, como na Reserva Indígena Krenrehé.

 

Algumas posses foram comprovadas por vistoria realizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) ainda em 1987. Em 1999, a empresa Agro Pastoril ajuizou uma ação possessória onde, inicialmente, conseguiu liminar para despejar alguns ocupantes da área.

 

“A empresa abandou o processo por quase duas décadas e, em 2015 resolveu novamente requerer o revigoramento da liminar para despejar as famílias, pedido este que foi negado pelo juízo da Vara Agrária”, explica as entidades.

 

Conforme a denúncia, mesmo com diversos pedidos e recursos em andamento, tanto em juízo de primeiro grau, quanto no TJMT, e mesmo recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e, principalmente, desconsiderando toda a situação da segunda onda de pandemia, as famílias já estão sendo notificadas para deixarem a área.

 

“As famílias, estão apreensivas em relação ao futuro com a iminência do despejo, pois serão obrigadas a deixar para trás o que levaram uma vida inteira para construir, há um clima tenso na área e as famílias tem enfrentado diversas formas de pressões e ameaças”, diz.

 

De acordo com a Pastoral, as famílias já notificadas estão formulando uma ação para que o despejo seja suspenso.

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