Pesquisa

Pesquisa feita com pássaros aponta prejuízos ocasionados pela poluição proveniente dos carros em MT

Estudo foi realizado por aluno de pós-graduação de Rondonópolis. Pardais foram avaliados em três pontos diferentes da cidade.

08/10/2019 15h49
Por: Redação
Fonte: G1

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Câmpus Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, com com pardais (Passer domesticus) , aponta que os índices de poluição ocasionada pelos carros aumentaram na última década. Cerca de 240 aves foram analisadas em três pontos extremos da cidade, com grande fluxo de veículos.

 

De acordo com a professor professor do mestrado em geografia da UFMT, Fábio Angeoletto, os pardais não costumam voar grandes distâncias, por isso, foi possível avaliar a condição dessas aves em lugares específicos e assim, medir os impactos da poluição nesses indivíduos.

 

O estudo, desenvolvido pelo estudante da pós-graduação, Deleon da Silva Leandro, detectou que regiões da cidade que são mais afetadas pela poluição, a partir da coleta de amostras de sangue dos pardais.

 

As amostras de sangue obtidas das aves capturadas nas avenidas de Rondonópolis foram comparadas com as amostras de pardais capturas em uma região que os pesquisadores denominam de ponto de controle. Esse local, na zona rural do município, não é afetada pela poluição atmosférica

 

Pardais foram analisados em pontos específicos da cidade — Foto: Paulo Andrade/VC no TG

Metodologia

As aves foram capturadas em uma rede, depois passaram por uma triagem em que foram separadas conforme o estado de saúde. Após as coletas das amostras de sangue, os pássaros foram soltos na natureza novamente.

 

Com as amostras, foram analisados dois parâmetros: a quantidade da proteína hemoglobina, e os heterofilos, células de defesa presentes no sangue.

 

Dessa forma, a pesquisa identificou, por exemplo, que os pardais capturados no Bairro Vila Salmén, uma área urbana às margens da rodovia BR-364, tinham em média 24% mais hemoglobina e quase 50% mais heterófilos do que as aves capturadas na zona rural.

 

O pesquisador explicou que essas mudanças fisiológicas são indicadores claros de poluição do ar, porque a hemoglobina também se liga quimicamente ao Dióxido de carbono (CO2), perdendo sua capacidade de transportar oxigênio pelo organismo do pássaro.

 

Os heterófilos aumentam como uma defesa contra um tipo de poluente que as aves respiram, denominado material particulado.

 

“Se afetam a saúde das aves, também afeta a saúde humana”, explica o professor Fábio.

Segundo ele, embora essa metodologia não substitua as estações de monitoramento da qualidade do ar, ela é simples, e pode ser usada pelas prefeituras para detectar a poluição atmosférica.

 

A pesquisa contou com a assessoria técnica do zoólogo irlandês Mark Fellowes, da Universidade de Reading, Inglaterra.

 

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