Tecnologia

O dia em que Steve Jobs surtou com Bill Gates

Ao longo de suas carreiras Gates e Jobs foram parceiros e rivais, uma relação que já foi esmiuçada em diversos livros, documentários e relatos daqueles que tiveram o privilégio de acompanhar tudo isso de perto, em plena década de 80, quando o mercado da computação pessoal começava a ser traçado – em grande parte pela contribuição de ambos. Entretanto, nem Apple nem Microsoft seriam o que são hoje sem a colaboração indireta de uma das empresas mais inovadoras da história, a Xerox. Sim, aquela mesmo que inventou a fotocopiadora.

06/09/2019 07h49
Por: Redação
Fonte: Club

Steve Jobs e Bill Gates são parecidos em muitos aspectos. Ambos nasceram em 1955, largaram a faculdade, serão eternamente lembrados pela contribuição no mercado de tecnologia, criaram empresas importantes, e possuem causos engraçadíssimos. Hoje iremos relembrar um deles. O dia que Jobs surtou com Gates, que rebateu com uma metáfora hilária.

Ao longo de suas carreiras Gates e Jobs foram parceiros e rivais, uma relação que já foi esmiuçada em diversos livros, documentários e relatos daqueles que tiveram o privilégio de acompanhar tudo isso de perto, em plena década de 80, quando o mercado da computação pessoal começava a ser traçado – em grande parte pela contribuição de ambos. Entretanto, nem Apple nem Microsoft seriam o que são hoje sem a colaboração indireta de uma das empresas mais inovadoras da história, a Xerox. Sim, aquela mesmo que inventou a fotocopiadora.

O que talvez você não saiba é que a Xerox inventou outros produtos revolucionários que acabaram se tornando tendência na concorrência. Para contextualizar é preciso voltar para 1970. Neste ano a Xerox resolveu lançar um laboratório de pesquisa, o Palo Alto Research Center (PARC), um centro de pesquisa e desenvolvimento com mentes brilhantes, que ficava localizado em Palo Alto, Califórnia, nos Estados Unidos. Foi lá que Steve Jobs viu e ficou encantado com o mouse e a interface gráfica. Mas calma, não vamos apressar a história.

No PARC a equipe de desenvolvimento, liderada por Bob Tayor, criou conceitos que, se tivessem sido bem aproveitados pela Xerox, teria levado à companhia a um outro patamar. Um dos principais nomes da equipe de Taylor no centro de pesquisa era a lenda Alan Kay. Ele esteve envolvido com o desenvolvimento da Ethernet, impressora a laser, e insistia na ideia de um computador pessoal. Conforme é relatado no livro “Os Inovadores” (Companhia das letras / 2014), escrito por Walter Isaacson, na entrevista de recrutamento para o PARC, Kay esboçou rapidamente o que seria um computador pessoal, em sua visão:

“Ele pegou uma pasta do tamanho de um caderno, abriu a capa e disse: “Isto seria uma tela plana. Haveria um
teclado aqui embaixo, e potência suficiente para armazenar correspondência, arquivos, músicas, ilustrações e livros. Tudo num pacote deste tamanho e pesando algumas libras. É disso que estou falando”

Kay estava no caminho certo, em termos do que o mercado viria a se tornar, mas a empresa tinha uma outra mentalidade e abordagem, os executivos da Xerox não deram a mínima para as muitas inovações que estavam diante de seus olhos. Kay dizia em sua época no PARC que a melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo. E foi isso que ele fez. A equipe brilhante da Xerox previu o futuro, mas foram outros que aproveitaram.

Em 1973 a Xerox já tinha um computador muito à frente do seu tempo, o Xerox Alto, projeto de uma máquina para uso pessoal com direito a mouse e interface gráfica. Esses dois elementos inovadores, o mouse e a interface gráfica, foram os grandes responsáveis por popularizar os computadores. O usuário ganhou um nível de liberdade e facilidade que era impensável nos anos anteriores. No entanto, os executivos da Xerox não enxergaram dessa forma, essas inovações que mudariam radicalmente a indústria nas décadas seguintes foram menosprezadas. Na época, o chefe de um centro de pesquisa da Xerox, em Webster, Nova York, declarou que o computador jamais seria tão importante quanto uma máquina copiadora!

Para uma empresa com diretores tão engessados como os da Xerox, o computador realmente nunca seria tão importante como uma copiadora, mas para Steve Jobs seria, e ele queria ser um dos responsáveis por essa revolução. Ele teve certeza disso quando visitou o PARC. Em 1979, Jobs e sua equipe visitaram o cento de pesquisa da Xerox em duas ocasiões. Foi um acordo entre Xerox e Apple. A Xerox se comprometeu em deixar a gigante de Cupertino estudar sua tecnologia, em troca, pôde investir US$ 1 milhão na promissora empresa de Jobs e Wozniak.

De início, a Xerox escondeu o jogo, não escancarou realmente o que estava sendo feito no PARC. Bastou um chilique de Steve para que a gigante da fotocopia mostrasse o que realmente estava em jogo ali. Foi neste momento que Steve mudou completamente sua visão de mundo, percebeu que a interface gráfica e o mouse, criações da Xerox, revolucionariam tudo. Deve ter sido um tremendo choque pra ele ver que uma empresa tinha tudo isto e não estava utilizando como deveria.

Jobs sentia orgulho em falar uma frase atribuída ao pintor Pablo Picasso: “bons artistas copiam, grandes artistas roubam”. E foi isso que ele fez, roubou as ideias da Xerox. A Apple aperfeiçoou tudo que viu ali, e deu o grande salto no mercado da computação pessoal. O que Jobs não esperava é que quem ia realmente levar a maior fatia do bolo do mercado da computação não seria sua empresa, mas sim a do seu parceiro de negócios: Bill Gates, que fundou a Microsoft junto com Paul Allen.

Steve Jobs e Paul Allen

Em 1981, a Microsoft começou a desenvolver um sistema operacional que também seria baseado em interface gráfica, ele seria o substituto do DOS, que com sua interação via linhas de comando o deixaria parecendo um dinossauro perante as possibilidades da interface gráfica. Esse projeto foi batizado de Windows Manager.

Tentando se calçar de um possível “roubo do roubo” Steve Jobs incluiu uma cláusula em seu contrato com a Microsoft, ficou estipulado que no período de um ano Bill Gates e sua trupe não poderiam produzir para nenhuma outra empresa um software que fizesse uso de um mouse ou que tivesse interface gráfica. Com o acerto, essa a barreira ficou valendo até o fim de 1983. Nos planos de Jobs seria tempo suficiente para o lançamento do seu queridinho Macintosh. Porém, isso não aconteceu, o primeiro computador da Apple com interface gráfica e mouse foi o caro e fracassado Apple Lisa, que saiu em 1983. O Mac veio apenas em 1984.

Steve Jobs e o Mac

Jobs ficou furioso quando soube que a Microsoft estava desenvolvendo um novo sistema operacional que teria interface gráfica. Considerou aquilo  uma traição. Como gostava do confronto cara a cara mandou que chamassem Gates em seu escritório, na sede da Apple, em Cupertino. Neste encontro, em meio a esse embate de titãs, Gates usou de uma metáfora certeira para responder aos insultos de Jobs.

Primeiramente ele explicou que a Microsoft estava desenvolvendo o Windows, e que a interface gráfica realmente estaria presente. O temperamental Steve Jobs chamou Gates de trapaceiro, disse que tinha confiado nele e agora estava sendo roubado. Foi aí que Bill Gates soltou a seguinte pérola:

Bem, Steve, acho que há mais de uma maneira de encarar isso. Acho que a situação está mais para o seguinte: nós dois tivemos um vizinho rico chamado Xerox, eu invadi a casa dele para roubar o aparelho de TV e descobri que você já o havia roubado.

Bill Gates

O aparelho de TV da metáfora é a interface gráfica, este elemento fundamental que qualquer sistema operacional voltado ao consumidor final, para qualquer dispositivo, adotou. Isso mudou completamente o jogo. Infelizmente os executivos da Xerox na época não encararam dessa maneira. A companhia até que tentou entrar na onda dos computadores pessoais com interface gráfica, com o Xerox Star, lançado em 1981. Mas nem de longe era um produto de consumo em massa, além de um produto voltado para o mercado corporativo, a máquina custava a partir de US$ 16 mil. Evidente que toda esse confusão foi para nos tribunais. A Xerox chegou a processar a Apple por direitos autorais.

A mágoa de Jobs com Gates devido a esse episódio perdurou ao longo dos anos, ele chegou a afirmar que Gates não tinha imaginação e nunca inventou nada. “Acho que é por isso que ele se sente mais confortável fazendo filantropia do que no mercado de tecnologia. Ele apenas roubava as ideias dos outros, sem vergonha alguma”, completou Steve.

Bill acredita que Jobs tinha um pouco de inveja do sucesso do Windows. O co-fundador da Microsoft também disse que tanto ele quanto Steve não violaram qualquer direito legal que a Xerox tinha, mas reconheceu que a empresa mostrou o caminho que o Windows e o Mac precisavam seguir.

No fim das contas, a interface gráfica se provou um sucesso, revolucionou a indústria. A Microsoft com o Windows conseguiu ganhar mais mercado que a Apple, por ter um modelo de negócios mais aberto, licenciando o sistema para diversas empresas. E a Xerox, teve que assistir tudo de camarote. Como disse Jobs em determinada ocasião: “a Xerox transformou em derrota a maior vitória da indústria dos computadores”.

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