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Saúde Curiosidade

Pouco conhecida, Aids felina pode destruir a imunidade do animal e levá-lo à morte

Semelhante à Aids nos seres humanos, a FIV faz com que os gatos não sejam capazes de combater nenhuma doença

08/08/2019 11h11
Por: Redação Fonte: G1
Bruna Russo/Arquivo pessoal
Bruna Russo/Arquivo pessoal

Apesar de pouco conhecida pelos donos, a Aids é uma doença que acomete os gatos com frequência. Juntamente com a leucemia felina, a FIV (sigla em inglês para feline immunodeficiency virus) pode destruir a imunidade do animal, fazendo com que ele não seja capaz de combater nenhum doença e podendo levar à morte.

Em entrevista ao G1, o médico veterinário Adelmo Guilhoto Miguel esclarece que a doença é presente apenas nos gatos, não podendo ser contraída pelos seres humanos. Ela é causada pelo vírus da imunodeficiência felina, do mesmo gênero do HIV (Aids humana), o que faz com que existam inúmeras semelhanças entre as duas doenças.

"O diagnóstico é feito através de amostras de sangue de animais, que detectam anticorpos contra o vírus na corrente sanguínea. Apesar das semelhanças, a Aids felina não é contagiosa a outros animais e aos seres humanos", explica.

Os sintomas que se manifestam nos animais vão desde inúmeras infecções, febre, pneumonia, perda de peso, até insuficiência renal, diabetes e hipertireoidismo.

O veterinário destaca ainda que alguns gatos podem permanecer a vida toda hospedando o vírus, porém sem manifestar nenhum sintoma.

"Apesar desta condição, de não manifestar nenhum sintoma, os animais hospedeiros transmitem a doença para outros animais, o que pode complicar na hora da identificação de quem está propagando o vírus, principalmente em locais com grande quantidade de gatos, como os abrigos."

A forma mais comum de transmissão de um felino para o outro é através da saliva, ou seja, por meio das mordidas durante brigas, lambeduras e compartilhamento de bebedouros e comedouros.

"Alguns estudos indicam a transmissão através da amamentação dos filhotes, por via da placenta durante a gestação e por transfusões de sangue", complementa Adelmo.

A técnica em segurança do trabalho Erika Russo, moradora de Sorocaba e dona do gato Vital, comenta que começou a perceber mudanças no comportamento e no aspecto físico do gato. "Ele começou a ficar muito magro, muito fraco e com secreção nos olhos. Algumas feridas surgiram na 'almofadinha' da patinha dele, e não curava. Levei até o veterinário e foi feito, entre outros exames, o teste para a FIV, onde deu positivo. Achei que fosse perder ele. Durante uma semana eu o levava todos os dias na clínica veterinária pra que ele pudesse tomar soro. Como ele é adotado, acreditamos que já tenha chegado com a doença. Hoje ele está em casa e está super bem, seguimos com um protocolo de tratamento, alimentação correta e cuidados pro resto da vida dele, mas estamos aliviados com a melhora", conta.

Tratamento

É importante destacar que, assim como a Aids humana, a Aids felina não tem cura. O tratamento se dá com o conforto paliativo, ou seja, apenas para aliviar a dor do animal, porém sem muitas chances de sucesso.

Adelmo explica que a expectativa de vida de um animal com FIV é muito variável em função de poder existir um portador que não demonstre os sintomas.

"Uma vez que o gato apresente sintomas, o tempo de vida é muito curto, pois o animal tende a apresentar grave perda de peso, anemia, tumores e infecções diversas."

Além disso, não existe vacina para a FIV. O médico explica que vários tipos de vacinas experimentais estão sendo produzidas por cientistas, porém, assim como na Aids humana, são necessários mais estudos para se chegar a um produto eficiente e confiável.

Cachorros podem contrair a FIV?

O veterinário explica que a doença atinge apenas os gatos. "Para a prevenção, os gatos devem ser castrados, mantidos dentro de casa quando possível e não serem expostos a gatos recém-adotados, animais de rua, abandonados ou perdidos, a menos que estes animais tenham sido testados previamente através de exames laboratoriais", orienta.

Recomenda-se ainda separar os gatos portadores da doença de outros gatos não infectados e evitar o compartilhamento de bebedouros e comedouros entre animais desconhecidos.

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